O portão principal da Quinta do Pizão abre-se para um lugar distinto no espaço e no tempo. Oito hectares na encosta poente do rio Sousa que começam numa área de floresta, percorrem uma outra de vinha – vinho verde – e acabam numa ampla zona de cultivo ao nível do rio, beneficiando de condições naturais que mancham de verde toda a propriedade. Ao fundo da calçada que se estende a partir do portão permanece a Casa do Talhinho.
Na segunda metade do século XVII era senhor desta casa Manoel Siabra de Miranda. Tabelião, legítimo descendente das nobres famílias Machado e Miranda, pai de numerosos filhos. Um dos mais distintos foi Bernardo Luiz de Miranda Salgado que herdou de seu pai o ofício de tabelião e a quem em 1724, foi concedida Carta de Brasão por “El Rei D. João V”. Casou com Maria Micaela Andrade Barboza da Casa do Pizão, situada a escassos metros da Casa do Talhinho, e com esse casamento as propriedades de ambas as casas foram unidas e constituída a que hoje é a Quinta do Pizão. O casal foi então habitar a Casa do Pizão que passou a ser a casa principal das propriedades, remodelando-a e construindo uma nova ala ao estilo da época e condizente com a condição de família brasonada. A Casa do Talhinho acabou por se transformar em palheiro e eira – local onde se guardavam as palhas e se secavam os cereais. Mais tarde, no séc XIX, a prosperidade da agricultura criou a necessidade de aumentar o palheiro. Aparece assim o andar superior onde é hoje a sala de estar da casa. As gerações seguintes foram ainda aumentando o seu património fazendo da Casa do Pizão a “casa mãe” de um conjunto de quintas que os seus proprietários detinham nos concelhos de Paredes e Penafiel. Contudo, nos finais do séc XX, a agricultura local sofreu um dramático declínio e só a forte unidade familiar da última geração Machado e Miranda, na sua maioria celibatária, explicam a sobrevivência da Quinta do Pizão aos êxodos rurais desse período.
Em 1985, ainda em vida e convívio com a geração anterior, o primeiro casal da nova geração, embora criado, educado e a residir na cidade do Porto, movido por uma longa paixão pelo meio rural, e em particular pela então aldeia de Cête, decidiu recuperar a Casa do Talhinho para seu refúgio de férias. Posteriormente, entrando na posse da Casa do Pizão decidiram adoptá-la como residência permanente disponibilizando a Casa do Talhinho para arrendamentos temporários.